Guerra do Contestado
Revolução Federalista
Governadores

 

Guerra do Contestado

A guerra camponesa do Contestado não foi uma simples revolta de fanáticos como alguns historiadores procuram nos apresentar. Os sertanejos explorados pelos latifundiários, expulsos de suas terras pelas companhias estrangeiras, as quais o governo havia cedido grandes extensões de terra, reagiram a essa opressão.
Em resumo, podemos afirmar que a miséria, a ignorância e as injustiças sociais fizera, eclodir essa guerra que teve um fim trágico, com o massacre de milhares de camponeses.

A região em que houve o conflito era chamada de área contestada, devido aos litígios de limites entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Porém, a guerra foi a revolta dos sertanejos da região contra o governo, as companhias estrangeiras e as oligarquias locais e não um conflito entre os estados do Paraná e Santa Catarina.
No sertão, os monges (figuras estranhas que levavam uma vida ascética) tinham grande prestígio. Em 1912, o monge José Maria d'Agostini, seguido pelos sertanejos que haviam sido expulsos de suas terras pelo "Brazil Railway Company", a quem o governo havia concebido nove quilômetros de cada lado da estrada de ferro, que está companhia norte-americana estava construindo na região contestada, rumou para os campos do Irani em território paranaense.

Neste ano tivemos o combate do Irani, onde os seguidores do monge José Maria enfrentaram as tropas do coronel paranaense João Gualberto. Nesse combate, José Maria e João Gualberto faleceram. Após a morte do monte, os sertanejos radicalizaram suas posições, desencadeando uma verdadeira guerra civil.
No auge do movimento, o território ocupado pelos sertanejos compreendia 28.000 quilômetros quadrados. A população oscilava em torno de 20 a 30 mil fanáticos, espalhados nos vários redutos. A revolta dos sertanejos era total: fazendas eram atacadas e saqueadas, os inimigos da fé eram mortos. Inclusive um escritório da "Lumber Company" foi atacado. A posse da terra era o principal motivo da revolta, segundo um sertanejo: "O governo da República toca os filhos brasileiros dos terrenos que pertencem à nação e os vende para o estrangeiro".
No reduto, predominava a divisão por igual dos alimentos e de outros meios de subsistência, conforme as pesquisas de Maurício Vinhas Queiroz. "Do que um comia, tudo tinha que comer, do que um bebia, tudo tinha que beber, todos eram irmãos" (Depoimento de Maria). Uma outra testemunha acrescenta: " Ninguém tinha o direito de vender nada para outro. Se eu precisava de um vestido era dado. Tudo era dado. Se alguém vendia, era morto".

Os sertanejos adoravam táticas de guerrilha, só atacando no momento e locais propícios, daí terem obtido vitórias espetaculares. Diante do fracasso das tropas estaduais, já no governo de Venceslau Brás foi enviada uma poderosa expedição, formada por 8.000 homens sob o comando do General Setembrino de Carvalho. Depois de sitiada a região, os sertanejos foram vencidos pela fome e superioridade das forças federais.

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Revolução Federalista

"Você sabe a origem do nome da capital de Santa Catarina? Não??"

Com esta chamada o MOVIMENTO 100 ANOS DE HUMILHAÇÃO, com sede em Florianópolis, na Rua Victor Meirelles, 55, fez publicar e distribuir um panfleto que conclamou a população da capital catarinense a conscientizar-se que seu nome é uma humilhação. Prossegue a matéria historiando que "no dia 1º de outubro de 1894, Nossa Senhora do Desterro passou a se chamar Florianópolis, que significa ''Cidade de Floriano". Você sabe quem foi este personagem? Certamente o conhece dos livros de história: Marechal Floriano Peixoto, segundo presidente da República, que subjugou revoltas em nome da "unidade nacional". A parte da história que você talvez desconheça é a do Floriano ditador, o "marechal de ferro", que reprimiu toda a oposição à sua vontade. O Floriano de Florianópolis. Em 1894, Floriano enviou para a Ilha de Santa Catarina o coronel Moreira César, homem de sua estrita confiança à frente de um batalhão de 500 soldados. Em pouco tempo, 185 civis e militares foram executados, sem qualquer direito de defesa. E - suprema humilhação - mudou-se o nome da nossa capital. Um século se passou. Mas a "homenagem" continua ai. E o povo catarinense nunca foi consultado a respeito..."

Os fuzilamentos do Forte de Anhatomirin, aconteceram porque o estilo despótico e centralizador de Floriano Peixoto encontrou resistências no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Setores da Marinha Brasileira, comandados pelo almirante Custodio José de Mello insurgiram-se na Baia da Guanabara e mandaram para o Sul três navio: o cruzador "República", o "Palas" e o "Marcílio Dias". No dia 25 de setembro de 1893, liderados pelo capitão de mar-e-guerra Guilherme de Lorena, aportaram em Desterro, que unidos ao Exército Federalista Gaúcho, foram aclamados pela população local, e declararam a independência da Região Sul, sendo Desterro a sua capital. A nova Republica capitulou em 14/04/1894, quando após diversas batalhas os "legalistas" que Floriano arregimentou em outros estados, e que eram comandados pelo Coronel Moreira Cesar, em virtude de sua grande superioridade numérica e bélica, tomaram a cidade. Na seqüência a cidade foi palco de cenas de violenta repressão, com torturas e prisões arbitrárias que atingiu a população civil.
No dia 25/04/1894, o capitão Guilherme de Lorena, o barão de Batovi e seu filho, o desembargador Francisco Vieira Caldas, o coronel Luiz Gomes Caldeira de Andrade, o juiz Joaquim Lopes de Oliveira, os capitães José Evangelista Leal, José Bittencourt, e Romualdo de Barros, e mais 179 personalidades políticas, lideranças estudantis e expoentes da intelectualidade foram sumariamente fuzilados na fortificação da Ilha de Anhatomirin, sem qualquer julgamento ou direito de defesa, por ordem expressa de Floriano Peixoto, cumprida a risca pelo tristemente famoso Moreira Cesar. Logo a seguir, mudou-se o nome da cidade passando a chamar-se "Florianópolis", em "homenagem" a quem trucidou seus filhos.

Para resgatar esta vexação, o Movimento 100 Anos de Humilhação, juntamente com o Centro Acadêmico de História, promoveu um júri simulado, que foi realizado no auditório da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. O júri foi presidido pelo advogado e presidente do Instituto dos Advogados de Santa Catarina, Carlos Silveira Lenzi. Foi montada uma banca de acusação e outra de defesa. Foram chamados a depor os participantes da "Novembrada", fato que ocorreu em 1970, quando o então presidente João Batista de Figueiredo foi escorraçado da Ilha por tentar descarregar uma placa em homenagem a Floriano Peixoto. Uma das testemunhas ouvidas, o poeta Cláudio Alvim Barbosa, afirmou em depoimento contundente, que "Florianópolis não é um nome, é um palavrão", e que o hino oficial da cidade (Rancho de Amor a Ilha), não cita nenhuma vez o atual nome da cidade.

A defesa tentou isentar Floriano Peixoto, imputando a culpa da violência praticada contra a população, a Moreira Cesar, que era violento e sanguinário por natureza. Argumentou ainda que Floriano não havia autorizado as execuções. Foram apresentados documentos históricos, relatos de escritores da época para descrever o comportamento truculento do coronel intervencionista. De nada adiantou a defesa para manter o nome Florianópolis, pois Floriano Peixoto foi condenado por este júri simulado, por seus atos de violência contra a cidade, não sendo justa a homenagem que lhe foi prestada.

Espera-se, agora, que a sensibilidade de nossa classe política, a quem esta afeta a responsabilidade legal de denominar nossos logradouros e cidades, resgate esta vexatória homenagem, sepultando e substituindo definitivamente o atual nome da capital catarinense. A medida impõe-se, não apenas para retificar o erro histórico e resgatar nosso ferido orgulho, mas porque os homenageados deveriam ser os que tiveram suas vidas imoladas em defesa da liberdade e da autonomia, e não o que ordenou seus assassinatos.

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Governadores

Santa Catarina teve os seguintes governadores:

nome período de governo
Lauro Müller
1889/1891 - 1918/1923
Manoel J. Machado 1882
Hercílio Luz 1894/1898 - 1918/1922 - 1922/1925
Felipe Schmidt 1898/1902 - 1914/1918
Vidal Ramos 1902/1906 - 1910/1914
Gustavo Konder 1906/1910
Adolpho Konder 1926/1930
Fúlvio Aducci 1930
Nereu Ramos 1935/1937 - 1937/1945
Aderbal Ramos 1947/1951
Irineu Bornhausen 1951/1956
Jorge Lacerda 1956/1958
Heriberto Hülse 1958/1961
Celso Ramos 1961/1966
Ivo Silveira 1966/1971
Colombo Salles 1971/1975
Antônio Carlos Konder Reis 1975/1979 - 1993/1994
Jorge Bornhausen 1979/1982
Henrique Córdova 1982/1984
Espiridião Amim Helou Filho 1984/1988
Pedro Ivo Campos 1988/1990
Casildo Maldaner 1990/1991
Vilson Kleinübing 1991/1993
Paulo Afonso Evagelista Vieira 1994/1998
Esperidião Amin Helou Filho 1999/2002

Lauro Müller
Político e militar brasileiro (Ijajaí /SC 1863 - Rio de Janeiro/RJ 1926). Tenente foi nomeado governador do Estado de Santa Catarina (1889). Em fevereiro de 1890, depois da renúncia do marechal Deodoro da Fonseca, deixou o cargo. Nas primeiras eleições (setembro de 1890) para a constituinte, foi eleito deputado e reeleito nas legistaturas seguintes, até 1899. Novamente governador do Estado (1902), promoveu a pacificação da plítica. Senador (1900), depois de três anos de mandato renunciou para ocupar no governo do presidente Rodrigues Alves a pasta da Viação. Voltou ao senado (1907 e 1912), já como chefe da política conservadora republlicana em Santa Catarina. Foi o sucessor do Barão do Rio Branco na pasta do exterior (1913); mas por ser contrário à entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial e por sua ascendência, renunciou, voltando ao senado (1917). Eleito (1918), não assumiu para permanecer no senado até 1926. Chegou ao generalato, embora não tenha voltado ao exército desde a revolução de 1894. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

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Hercílio Luz
Político brasileiro (Florianópolis/SC 1860 - idem 1924). Eleito governador do seu Estado (1894-1898), senador (1900, 1905, 1915) e novamente governador (1922-1924). Em seu governo, realizou inúmeras obras de saneamento da capital catarinense e a primeira ponte que ligou o continente a Ilha de Santa Catarina (ponte Hercílio Luz).

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Felipe Schmidt
Engenheiro militar e político brasileiro (Lages/SC 1859 - Rio de Janeiro/RJ 1926). Um dos construtores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Da equipe que projetou (1888) a estrada União da Vitória-Palmas. Elegeu0se deputado à constituinte e à primeira legislatura ordinária do congresso nacional. Governador de Santa Catarina de 1898 a 1902 e de 1914 a 1918, várias vezes senador (de 1903 até 1926).

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Vidal Ramos
Político brasileiro (Lages/SC 1866 - Rio de Janeiro/RJ 1954). Deputado-geral em 1888, vice-governador do Estado (1902 a 1906), ocupou o governo por ter o titular, Lauro Müller, assumido a pasta da Viação na presidência Rodrigues Alves. Deputado federal (1906 e 1909), renunciou pouco depois, por ter sido eleito governador do Estado (1910 - 1914). Senador (1915 1 1927 e 1935 1 1937).

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Adolfo Konder
Político brasileiro (Itajaí/SC 1885 - Rio de Janeiro/RJ 1956). Participou da campanha civilista de Rui Barbosa e ingressou no Ministério das Relações Exteriores a convite do Barão do Rio Branco. Governador de Santa Catarina (1926). Deputado federal e constituinte de 1934, opôs-se ao movimento revolucionário de 1930. Com a vitória da revolução, foi agastado do governo de Santa Catarina. Em 1934, elegeu-se novamente deputado federal, perdendo o mandado com a decretação do Estado Novo (1937). Participou ativamente da campanha pela redemocratização do país, figurando entre os fundadores da U.D.N.

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Nereu Ramos
Político brasileiro (Lages/SC 1888 - Curitiba/PR 1958). Em 1930 e 1933 foi eleito deputado federal, constituinte de 1934. Governador do Estado em 1935, teve o seu mandato interrompido pelo Estado Novo (1937). Interventor federal em Santa Catarina, exerceu esse cargo até 1945. Nesse ano, com outros políticos fundou o P.S.D., pelo qual se elegeu senador e deputado, optando pelo senado. Nos trabalhos da constituinte de 1946, foi presidente da grande comissão constitucional. Elegeu-se vice-presidente da república pelo congresso nacional. Em 1949, assumiu a presidência da república durante a viagem ao exteriro do presidente Dutra. Em 1950, deputado federal (presidente da câmara de 1951 até 1954); em 1954, novamente senador. Em 1955, grave crise política (após a vitória política nas urnas de Juscelino Kubitschek) fê-lo assumir novamente a presidência da república, a 11 de novembro, quando o congresso nacional decretou o impedimento de Carlos Luz e o de Café Filho. Passou a presidência da república a Juscelino Kubitschek, a 31 de janeiro de 1956, sendo nomeado ministro da Justiça, cargo que exerceu até 1957.

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