Brasil Independente
Revolução Farroupilha e a República
Juliana
Colonização Européia |
Brasil Independente
Proclamada
a Independência, aderiu Santa Catarina, já com o título
de Província, ao movimento constitucional, elegendo seu representante
às Cortes de Lisboa o Padre Lourenço Rodrigues de
Andrade, que assinou a Constituição do Reino Unido
em 1822. Em seguida cooperou a Província com as demais no
movimento da Independência, elegendo deputado à Constituinte
brasileira, em 1823, Diogo Duarte Silva. Em decorrência da
Carta Imperial de 1824 passou a ser governada por presidentes nomeados
pelo poder central. Logo após a aceitação dessa
Carta, instalou-se o Conselho Provincial e, até 1889, foram
39 os que ocuparam o Executivo. Em 1834 o Ato Adicional transformou
o Conselho em Assembléia Provincial, com poderes muito mais
amplos.
Revolução Farroupilha
e a República Juliana
O período regencial foi caracterizado por uma série
de agitações. Muitas revoltas em diversos pontos do
país, várias das quais colocando em perigo a unidade
nacional, ocorriam motivadas pelo descontentamento político.
O mais longo movimento - que duraria 10 anos -, a Revolução
Farroupilha, eclodiu em 1835, no Rio Grande do Sul e se estendeu
a Santa Catarina.
Este
movimento Revolucionário objetivava libertar aquela província
de um controle econômico do governo imperial, considerado
intolerável pela população gaúcha, e
era alimentado por ideais republicanos e federalistas, sob o comando
do coronel Bento Gonçalves. Em Santa Catarina, especialmente
nas regiões mais próximas do Rio Grande, como Laguna
e Lages, o número de simpatizantes pela causa rio-grandense
aumentava, incentivados por famílias fugitivas gaúchas
que haviam escapado às perseguições e à
Guerra dos Farrapos.
Lages
foi invadida pelos farrapos em 1838 e declarada parte da República
Rio-grandense, que já havia sido declarada. No ano seguinte,
liderados pelo italiano Guiseppe Garibaldi, os farrapos invadiram
Laguna pelo mar. E chegaram por terra comandados por Davi Canabarro.
Apoiados pela população, estabeleceram uma república
com o nome provisório de Cidade Juliana de Laguna, presidida
por Canabarro. Com a convocação de eleições,
foi eleito para presidente da República o coronel Joaquim
Xavier Neves, de São José. Neves, porém, não
foi diplomado presidente pelos revolucionários gaúchos,
assumindo o cargo o Padre Vicente Ferreira dos Santos Cordeiro,
de Enseada do Brito, que havia sido derrotado na eleição.
Laguna
foi designada Capital Provisória da República Juliana.
Foram instituídas as cores oficiais - verde, amarela e branca
- e Lages considerada parte integrante do território. Todos
os impostos sobre o comércio do gado e indústria pastoril
foram abolidos.
A
reação do governo Imperial foi a nomeação
do marechal Francisco José de Sousa Soares de Andréa
para presidente de Santa Catarina, pois ele era conhecido por sua
energia e rispidez. Nobre e de brilhante carreira militar, Andréa
acompanhara D. João VI e a família real para o Brasil
e fora comandante das forças brasileiras em Montevidéu.
Enviando às terras barrigas-verdes somente para resolver
os problemas do sul, Andréa governou apenas de 1839 a 1840.
Com
400 homens que trouxera do Rio de Janeiro e 3.000 de Santa Catarina,
20 navios e com amplos poderes, Andréa preferiu os caminhos
diplomáticos para acabar com os republicanos: habilmente
fez afastar o Padre Cordeiro e cooptar Neves para a causa imperial,
prestigiando e elogiando o coronel publicamente e o tornando o comandante
da Guarda Nacional de São José. Os demais revolucionários
de Laguna foram derrotados por tropas navais do governo brasileiro,
fazendo Garibaldi e sua companheira Anita refugiarem-se no Rio Grande,
de onde saíram para lutar na Itália.
A instalação da República Juliana de Laguna,
ainda que por pouco tempo, foi uma das páginas mais gloriosas
da história catarinense, projetando internacionalmente o
nome de Anita Garibaldi, denominada a Heroína dos Dois
Mundos.
Colonização Européia
Foi no final do Primeiro Reinado que se iniciou um grande movimento
de colonização em todo o país. A província
de Santa Catarina foi um dos setores em que ele produziu resultados
mais promissores, quer o de iniciativa oficial, quer o particular.
Do
primeiro tipo foram: São Pedro de Alcântara, de alemães
(1829); Itajaí, de nacionalidades diversas (1836); Piedade,
de alemães (1847); Santa Tereza (1854), com soldados agricultores,
destinada a ligação entre Lages e a capital; Teresópolis,
de alemães (1860); Brusque, idem (1860); Angelina, de diversas
nacionalidades (1862); Azambuja, de italianos (1877); Luís
Alves, de diversas nacionalidades (1877).
De
iniciativa particular foram: Nova Itália, de italianos (1836);
Flor da Silva, com elementos mistos (1844); Blumenau, com alemães
(1850); D. Francisca, com alemães (1851), que deu origem
à cidade de Joinville; Leopoldina, com nacionais, belgas,
e alemães (1853); Príncipe D. Pedro, com irlandeses
e americanos (1860); o Grão-Pará, com italianos, espanhóis,
russos, polacos, franceses, ingleses e holandeses (1882).
Referência
especial merece a colônia de Saí (1842), tentativa
malograda de concretização das idéias comunistas
de Fourier, na Baia da Babitonga. Desse núcleos surgiram
outros, e o território ficou coberto por uma rede de colônias,
no seio das quais foram surgindo cidades, vilas e povoados.
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