|
Nas
décadas de 50 e 60 houve uma revolução na indústria
farmacêutica como desenvolvimento de novos antibióticos
e de vacinas. Tinha-se a ilusão de que para todo o mal, havia
um remédio. O mundo inteiro achava que nunca mais haveria
pandemias como a da gripe espanhola do início do século.
Anualmente, cerca de 30 milhões de pessoas morrem no Planeta,
porque foram contaminadas por vírus, bactérias ou
protozoários nocivos. Esses males constituem a maior causa
anual de mortalidade.
De acordo com especialistas, muito pior do que as novas doenças
(emergentes) são as velhas conhecidas que voltam com força
total, mais fortes e resistentes. A esse grupo de doenças
que voltam a afligir a humanidade com mais força, depois
de um longo período sob controle, podemos chamar de Ressurgentes
ou Reemergentes.
Entre as principais doenças ressurgentes da atualidade, podemos
citar:
A - causadas por vírus: Dengue,
Febre Amarela e Supergripe.
B - causadas por bactérias:
cólera, Tuberculose e Infecções hospitalares.
C - causadas por protozoários:
Leishmaniose e Malária.
Dengue
Clássica e Hemorrágica
Existem estudos indicando que o mosquito Aedes aegypti, transmissor
da dengue e da febre amarela urbana, está se tornando resistente
aos inseticidas usados para destruí-lo. Essa é uma
das possíveis explicações para o crescimento
assustador da Dengue.
· Agente causador (etiológico): em ambas as
formas de dengue, é um vírus do qual se conhecem quatro
sorotipos: DEN 1, 2, 3 e 4.
· Vetores: os vetores são fêmeas do mosquito
Aedes aegypti.
· Transmissão: pela picada da fêmea do
mosquito infectada, que é hematófoga, ou seja, suga
sangue.
· Susceptibilidade e imunidade: os 4 sorotipos de
vírus são potencialmente graves e podem ser fatais.
A imunidade é permanente apenas contra o sorotipo causador.
Os infectados, por exemplo, pelo sorotipo 1 tornam-se imunes em
relação a estes, mas se infectados por um dos outros
3 sorotipos posteriormente, podem desenvolver a dengue hemorrágica.
· Sintomas: febre intensa, dor de cabeça, dores
fortes nos olhos, nos músculos, nos ossos e nas juntas.
Dengue hemorrágica - sangramento pelas gengivas, pele e intestino,
choque e morte.
· Profilaxia: ainda não foi desenvolvida uma
vacina eficaz contra os 4 sorotipos de vírus (vacina tetravalente).
Na ausência de uma vacina, as medidas mais eficazes para o
controle da doença são a eliminação
dos criadouros e o extermínio das formas adultas do Aedes
aegypti.
Febre
Amarela Urbana e Silvestre
Os primeiros casos de febre amarela surgiram
na América do Sul, a partir do século XVI - Época
dos Descobrimentos. A partir daí, alcançou a América
do Norte e a Europa. Manifestou-se em terríveis epidemias
por mais de 300 anos. Até que no fim do século XIX
foi identificado o mosquito transmissor, o que permitiu adotar em
vários países medidas de erradicação.
No Rio de Janeiro, tornou-se célebre a campanha de saneamento
conduzida por Osvaldo Cruz, que debelou a epidemia em 1902.
· Agente causador: em ambos os casos é um arbovírus
(transmitido por artrópodes), pertencente ao gênero
Flavivírus.
· Vetores: os vetores são fêmeas do mosquito
Aedes (urbano) e Haemagogus (silvestre).
· Transmissão: a febre amarela urbana é
transmitida de um homem á outro pela picada de fêmeas
infectadas de Aedes aegypti. A febre amarela silvestre é
transmitida ao homem pela picada de fêmeas de mosquitos do
gênero Haemagogus, infectadas ao sugar macacos, que são
os reservatórios dos vírus.
·
Sintomas: Fase inicial (3 a 6 dias): febre intensa, calafrios,
dor nas articulações, prostração, náuseas
e vômitos.
Fase aguda: comprometimento do fígado e dos rins,
além de provocar hemorragias, que pode causar a morte se
não houver tratamento imediato.
· Profilaxia: vacina em dose única deve se
recebida 10 dias antes da viagem para áreas endêmicas:
Região Norte e Centro-Oeste. A vacina imuniza por um período
de 10 anos.

"Supergripe"
A gripe é uma virose mundial causada
pelo Myxovirus influenzae. São três tipos de influenza:
A, B e C. O tipo A é o que provoca sintomas e complicações
mais fortes no homem e está por trás das grandes gripes.
A primeira e a mais grave das gripes aconteceu em 1918. Ficou conhecida
com "gripe espanhola", porque foi na Espanha que surgiu
os primeiros casos. Oficialmente, matou 20 milhões de pessoas
no mundo. No Brasil, foram 300 mil mortos, incluindo o então
Presidente da República Rodrigues Alves.
A segunda pandemia veio em 1957, e foi batizada de "gripe asiática".
O número de óbitos, desta vez não chegou na
casa dos milhões.
Outro grande susto aconteceu em 1997, em Hong Kong. Foi a chamada
"gripe das galinhas", pois infectou 18 pessoas entre maio
e novembro daquele ano, com 6 mortes. Descobriu-se que o vírus
da galinha estava atacando as pessoas. Na verdade, o que ocorreu
foi uma mistura do material genético do vírus que
ataca o homem com o vírus que ataca as galinhas, gerando
uma nova cepa de potencial avassalador.
No Réveillon de 1999, uma epidemia de gripe passou pela Europa
e E.U.A., provocando a morte de muitas pessoas. O vilão dessa
vez é o vírus da "gripe australiana", visto
que foi identificado em Sidney - Austrália em 1997.
· Agente causador: Myxovirus influenzae, do tipo A,
B e C.
· Transmissão: o vírus entra pela boca
ou nariz e se aloja principalmente na mucosa das vias respiratórias.
· Sintomas: Típicos - febre alta, tosse, dor
de garganta, dores musculares e mal-estar geral. Graves - Pneumonia,
bronquite, miocardite e encefalite.
· Profilaxia: a vacina é a forma mais eficaz
(80%) de prevenir a doença. Esta vacina na verdade nunca
provoca a gripe como pensam algumas pessoas. Porém, ela não
imuniza contra os vírus que provocam resfriados, que têm
sintomas bem mais amenos e provocam 9 entre 10 infecções
no sistema respiratório.
No Brasil, até o início do inverno deve chegar duas
drogas que, pela primeira vez, conseguem bloquear a ação
do influenza. As drogas Relenza (Glaxo-Wellcome) e Tamiflu (Roche)
só fazem efeito se tomadas 36 horas após o surgimento
dos primeiros sintomas.
Leishmaniose
A pobreza, a falta de recursos, as migrações,
a colonização predatória de novas fronteiras,
o sistema de saúde precário e a urbanização
descontrolada das cidades brasileiras compõe o quadro social
que possibilita a expansão da leishmaniose pelo país.
Há 40 anos, a doença predominava no nordeste rural.
No final dos anos 70 e começo dos anos 80 ela surgia no sul,
sudeste e centro-oeste.
Em todo o país, mais de 35 mil pessoas ficaram doentes de
leishmaniose cutânea em 1996.
A leishmaniose visceral também enfrenta um problema de urbanização.
As migrações de pessoas do interior dos estados do
nordeste para as cidades, com seus cães infectados, fez com
que se formassem novos focos de calazar.
A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por
um protozoário flagelado, a leishmania, e transmitida por
mosquitos flebotomídeos (mosquito - palha ou birigui). O
inseto se contamina ao sugar o sangue de pessoas doentes. Ao picar
uma pessoa sadia, o mosquito injeta sua secreção salivar
anticoagulante e, com ela, as leishmanias. Pelo sangue, os protozoários
atingem a pele e as mucosas, causando feridas e lesões graves.
Ciclo
de vida do parasita
1. O parasita se reproduz no intestino dos mosquitos flebotomidios.
Quando a fêmea pica um animal infectado transmite ou colhe
o parasita.
2. No organismo, as formas promastigotas (com flagelo) são
fagocitadas pelos macrófagos da pele sem sofrer destruição.
Dentro do macrófago, o parasita perde seu flagelo e adquire
a forma amastigota.
3. O parasita se reproduz dentro das células de defesa e
as destrói. Mais amastigotas são liberados no organismo,
continuando a infecção.
4. Alguns tipos de leishmania permanecem na pele, ou migram para
as mucosas (revestimento úmido) da boca ou do nariz, causando
a leishmaniose tegumentar ou úlcera de Bauru.
5. Outros migram para órgãos como o fígado
e o baço, provocando a leishmaniose visceral ou calazar,
a forma mortal da doença.
Defesa
do organismo
A presença das leishmanias atacadas, mas não destruídas
pelos macrófagos, causa uma desordem no sistema de defesa
do organismo. As reações fortes e desordenadas das
células de defesa ( linfócitos - T e linfócitos
- B ) que liberam toxinas para matar o parasita, provoca lesões
nas mucosas da boca, nariz, fígado e baço.
Leishmaniose cutânea ou tegumentar (úlcera de Bauru
)
· Agente causador: Leishmania braziliense
· Transmissão: ocorre pela picada do mosquito
- palha (phlebotomus) ou também chamado birigui.
· Sintomas: inchaço no local da picada onde
se forma uma ferida não dolorosa, que fecha muito vagarosamente,
deixando cicatrizes no rosto, braços e pernas. Se não
tratada a doença, a boca e o nariz podem ficar desfigurados
ou destruídos.
· Profilaxia: combate dos vetores com inseticidas
e diagnóstico rápido dos infectados.
Leishmaniose
visceral ou calazar
·
Agente causador:
Leishmania donovani
· Transmissão: picada do mosquito - palha.
· Sintomas: Febre, diarréia, emagrecimento,
aumento do fígado e do baço, hemorragias e convulsões.
Morte por pneumonia, hemorragias e insuficiência cardíaca.
· Profilaxia: tratamento precoce dos casos humanos,
eliminação dos cães infectados e uso de inseticidas.
Bibliografia
Revista
Ciência Hoje - volume 24. nº 139. 1998.
Revista Super Interessante - nº 149. 2000.
Revista Biotecnologia - ano 2, n°10, 1999.
Revista Galileu - ano 9, n° 104, 2000.
AVANCINI, E. & FAVARETTO, J. A. Biologia - Uma abordagem evolutiva
e ecológica. v. 2. Ed. Moderna. 1998.
LOPES, S. G. B. C. Bio. v. 2. Ed. Saraiva. 1997.
NEVES, D. P. Parasitologia Humana. Ed. Atheneu. 1998.
Jornal Folha de São Paulo - 09/02/1997.
Jornal Folha de São Paulo - 19/01/2000.
|