CURSO DE BIO-ATUALIDADES

Prof. José Vagner Gomes

DOENÇAS REEMERGENTES (RESSURGENTES)


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Nas décadas de 50 e 60 houve uma revolução na indústria farmacêutica como desenvolvimento de novos antibióticos e de vacinas. Tinha-se a ilusão de que para todo o mal, havia um remédio. O mundo inteiro achava que nunca mais haveria pandemias como a da gripe espanhola do início do século.
Anualmente, cerca de 30 milhões de pessoas morrem no Planeta, porque foram contaminadas por vírus, bactérias ou protozoários nocivos. Esses males constituem a maior causa anual de mortalidade.
De acordo com especialistas, muito pior do que as novas doenças (emergentes) são as velhas conhecidas que voltam com força total, mais fortes e resistentes. A esse grupo de doenças que voltam a afligir a humanidade com mais força, depois de um longo período sob controle, podemos chamar de Ressurgentes ou Reemergentes.
Entre as principais doenças ressurgentes da atualidade, podemos citar:

A - causadas por vírus: Dengue, Febre Amarela e Supergripe.

B - causadas por bactérias: cólera, Tuberculose e Infecções hospitalares.

C - causadas por protozoários: Leishmaniose e Malária.


Dengue Clássica e Hemorrágica
Existem estudos indicando que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela urbana, está se tornando resistente aos inseticidas usados para destruí-lo. Essa é uma das possíveis explicações para o crescimento assustador da Dengue.

· Agente causador (etiológico): em ambas as formas de dengue, é um vírus do qual se conhecem quatro sorotipos: DEN 1, 2, 3 e 4.
· Vetores: os vetores são fêmeas do mosquito Aedes aegypti.
· Transmissão: pela picada da fêmea do mosquito infectada, que é hematófoga, ou seja, suga sangue.
· Susceptibilidade e imunidade: os 4 sorotipos de vírus são potencialmente graves e podem ser fatais. A imunidade é permanente apenas contra o sorotipo causador. Os infectados, por exemplo, pelo sorotipo 1 tornam-se imunes em relação a estes, mas se infectados por um dos outros 3 sorotipos posteriormente, podem desenvolver a dengue hemorrágica.
· Sintomas: febre intensa, dor de cabeça, dores fortes nos olhos, nos músculos, nos ossos e nas juntas.
Dengue hemorrágica - sangramento pelas gengivas, pele e intestino, choque e morte.
· Profilaxia: ainda não foi desenvolvida uma vacina eficaz contra os 4 sorotipos de vírus (vacina tetravalente). Na ausência de uma vacina, as medidas mais eficazes para o controle da doença são a eliminação dos criadouros e o extermínio das formas adultas do Aedes aegypti.

Febre Amarela Urbana e Silvestre
Os primeiros casos de febre amarela surgiram na América do Sul, a partir do século XVI - Época dos Descobrimentos. A partir daí, alcançou a América do Norte e a Europa. Manifestou-se em terríveis epidemias por mais de 300 anos. Até que no fim do século XIX foi identificado o mosquito transmissor, o que permitiu adotar em vários países medidas de erradicação. No Rio de Janeiro, tornou-se célebre a campanha de saneamento conduzida por Osvaldo Cruz, que debelou a epidemia em 1902.

· Agente causador: em ambos os casos é um arbovírus (transmitido por artrópodes), pertencente ao gênero Flavivírus.
· Vetores: os vetores são fêmeas do mosquito Aedes (urbano) e Haemagogus (silvestre).
· Transmissão: a febre amarela urbana é transmitida de um homem á outro pela picada de fêmeas infectadas de Aedes aegypti. A febre amarela silvestre é transmitida ao homem pela picada de fêmeas de mosquitos do gênero Haemagogus, infectadas ao sugar macacos, que são os reservatórios dos vírus.


 

· Sintomas: Fase inicial (3 a 6 dias): febre intensa, calafrios, dor nas articulações, prostração, náuseas e vômitos.
Fase aguda: comprometimento do fígado e dos rins, além de provocar hemorragias, que pode causar a morte se não houver tratamento imediato.
· Profilaxia: vacina em dose única deve se recebida 10 dias antes da viagem para áreas endêmicas: Região Norte e Centro-Oeste. A vacina imuniza por um período de 10 anos.

 

"Supergripe"
A gripe é uma virose mundial causada pelo Myxovirus influenzae. São três tipos de influenza: A, B e C. O tipo A é o que provoca sintomas e complicações mais fortes no homem e está por trás das grandes gripes.
A primeira e a mais grave das gripes aconteceu em 1918. Ficou conhecida com "gripe espanhola", porque foi na Espanha que surgiu os primeiros casos. Oficialmente, matou 20 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, foram 300 mil mortos, incluindo o então Presidente da República Rodrigues Alves.
A segunda pandemia veio em 1957, e foi batizada de "gripe asiática". O número de óbitos, desta vez não chegou na casa dos milhões.
Outro grande susto aconteceu em 1997, em Hong Kong. Foi a chamada "gripe das galinhas", pois infectou 18 pessoas entre maio e novembro daquele ano, com 6 mortes. Descobriu-se que o vírus da galinha estava atacando as pessoas. Na verdade, o que ocorreu foi uma mistura do material genético do vírus que ataca o homem com o vírus que ataca as galinhas, gerando uma nova cepa de potencial avassalador.
No Réveillon de 1999, uma epidemia de gripe passou pela Europa e E.U.A., provocando a morte de muitas pessoas. O vilão dessa vez é o vírus da "gripe australiana", visto que foi identificado em Sidney - Austrália em 1997.

· Agente causador: Myxovirus influenzae, do tipo A, B e C.
· Transmissão: o vírus entra pela boca ou nariz e se aloja principalmente na mucosa das vias respiratórias.
· Sintomas: Típicos - febre alta, tosse, dor de garganta, dores musculares e mal-estar geral. Graves - Pneumonia, bronquite, miocardite e encefalite.
· Profilaxia: a vacina é a forma mais eficaz (80%) de prevenir a doença. Esta vacina na verdade nunca provoca a gripe como pensam algumas pessoas. Porém, ela não imuniza contra os vírus que provocam resfriados, que têm sintomas bem mais amenos e provocam 9 entre 10 infecções no sistema respiratório.
No Brasil, até o início do inverno deve chegar duas drogas que, pela primeira vez, conseguem bloquear a ação do influenza. As drogas Relenza (Glaxo-Wellcome) e Tamiflu (Roche) só fazem efeito se tomadas 36 horas após o surgimento dos primeiros sintomas.

Leishmaniose
A pobreza, a falta de recursos, as migrações, a colonização predatória de novas fronteiras, o sistema de saúde precário e a urbanização descontrolada das cidades brasileiras compõe o quadro social que possibilita a expansão da leishmaniose pelo país.
Há 40 anos, a doença predominava no nordeste rural. No final dos anos 70 e começo dos anos 80 ela surgia no sul, sudeste e centro-oeste.
Em todo o país, mais de 35 mil pessoas ficaram doentes de leishmaniose cutânea em 1996.
A leishmaniose visceral também enfrenta um problema de urbanização. As migrações de pessoas do interior dos estados do nordeste para as cidades, com seus cães infectados, fez com que se formassem novos focos de calazar.
A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por um protozoário flagelado, a leishmania, e transmitida por
mosquitos flebotomídeos (mosquito - palha ou birigui). O inseto se contamina ao sugar o sangue de pessoas doentes. Ao picar uma pessoa sadia, o mosquito injeta sua secreção salivar anticoagulante e, com ela, as leishmanias. Pelo sangue, os protozoários atingem a pele e as mucosas, causando feridas e lesões graves.

Ciclo de vida do parasita
1. O parasita se reproduz no intestino dos mosquitos flebotomidios. Quando a fêmea pica um animal infectado transmite ou colhe o parasita.
2. No organismo, as formas promastigotas (com flagelo) são fagocitadas pelos macrófagos da pele sem sofrer destruição. Dentro do macrófago, o parasita perde seu flagelo e adquire a forma amastigota.
3. O parasita se reproduz dentro das células de defesa e as destrói. Mais amastigotas são liberados no organismo, continuando a infecção.
4. Alguns tipos de leishmania permanecem na pele, ou migram para as mucosas (revestimento úmido) da boca ou do nariz, causando a leishmaniose tegumentar ou úlcera de Bauru.
5. Outros migram para órgãos como o fígado e o baço, provocando a leishmaniose visceral ou calazar, a forma mortal da doença.

Defesa do organismo
A presença das leishmanias atacadas, mas não destruídas pelos macrófagos, causa uma desordem no sistema de defesa do organismo. As reações fortes e desordenadas das células de defesa ( linfócitos - T e linfócitos - B ) que liberam toxinas para matar o parasita, provoca lesões nas mucosas da boca, nariz, fígado e baço.


Leishmaniose cutânea ou tegumentar (úlcera de Bauru )

· Agente causador: Leishmania braziliense
· Transmissão: ocorre pela picada do mosquito - palha (phlebotomus) ou também chamado birigui.
· Sintomas: inchaço no local da picada onde se forma uma ferida não dolorosa, que fecha muito vagarosamente, deixando cicatrizes no rosto, braços e pernas. Se não tratada a doença, a boca e o nariz podem ficar desfigurados ou destruídos.
· Profilaxia: combate dos vetores com inseticidas e diagnóstico rápido dos infectados.

Leishmaniose visceral ou calazar
· Agente causador: Leishmania donovani
· Transmissão: picada do mosquito - palha.
· Sintomas: Febre, diarréia, emagrecimento, aumento do fígado e do baço, hemorragias e convulsões. Morte por pneumonia, hemorragias e insuficiência cardíaca.
· Profilaxia: tratamento precoce dos casos humanos, eliminação dos cães infectados e uso de inseticidas.

 

 

Bibliografia

Revista Ciência Hoje - volume 24. nº 139. 1998.
Revista Super Interessante - nº 149. 2000.
Revista Biotecnologia - ano 2, n°10, 1999.
Revista Galileu - ano 9, n° 104, 2000.
AVANCINI, E. & FAVARETTO, J. A. Biologia - Uma abordagem evolutiva e ecológica. v. 2. Ed. Moderna. 1998.
LOPES, S. G. B. C. Bio. v. 2. Ed. Saraiva. 1997.
NEVES, D. P. Parasitologia Humana. Ed. Atheneu. 1998.
Jornal Folha de São Paulo - 09/02/1997.
Jornal Folha de São Paulo - 19/01/2000.

 
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