CURSO DE BIO-ATUALIDADES


Prof. Vagner - Aula n° 1




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DOENÇAS EMERGENTES


Mergulhado na ilusão de ser o centro da natureza, o Homem acreditou que com o uso da Tecnologia iria erradicar todas as doenças infecciosas da face da Terra. Com um arsenal de pesticidas, antibióticos e vacinas acumulado nos últimos 100 anos, saiu combatendo vírus, bactérias, protozoários e outros microrganismos. Hoje, o Homem está perplexo diante da sua ingenuidade em querer dominar a natureza. A todo momento, tem-se notícias de novas doenças provocadas por seres microscópicos até então desconhecidos.
Diante dos recentes surtos endêmicos, epidêmicos e até mesmo pandêmicos de algumas doenças, tem-se a impressão de que um complô virótico pretende eliminar os seres humano da noite para o dia. É um erro achar que estão nascendo novos vírus, devido ao "progresso" bestial e descontrolado da humanidade. A ocupação indiscriminada e predatória da população mundial em áreas florestais pode colocar o Homem em contato com microrganismos desconhecidos. Mas esses microrganismos já existiam e habitam animais e ecossistemas próprios há milhares de anos.

É exatamente por isso, que os cientistas preferem trocar o adjetivo novo por microrganismos ou "vírus" emergentes, isto é, que provocam doenças cuja existência anterior era desconhecida no planeta ou, pelo menos, na região em que apareceram. As infecções causadas por esses vírus tem aumentado nas duas últimas décadas e, não raro, atingem proporções epidêmicas.

Biodiversidade emergente no mundo
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) é um órgão do governo americano que vigia o planeta à caça de todo tipo de doenças epidêmicas desconhecidas.
· LASSA - é da Libéria. Transmitido por fezes e urina de ratos. Já dizimou quase cem mil africanos de febre hemorrágica.
· HANTAVÍRUS - é coreano. Ataca os rins ou pulmões; depois provoca hemorragias. Pode matar em uma semana.
· MORBILIVÍRUS - australiano. Ele atacou o pulmão de 7 cavalos, que infectaram o seu tratador. Todos morreram.
· EBOLA MARBURG - originário dos macacos de Uganda, matou 7 pessoas na Alemanha.
· EBOLA ZAIRE - surgiu no Zaire. Mata 90% das vítimas em menos de 10 dias, porque destrói os vasos sangüíneos.
· JUNÍN - argentino. Causador da febre hemorrágica argentina. O vírus impede a coagulação do sangue e dissolve a parede dos vasos. Em 45 anos, ocorreram 20 mil casos com 30% de mortes.
· MACHUPO - boliviano. Causador da febre hemorrágica boliviana. Transmitido por ratos, mata 30% dos pacientes, atacando o cérebro.
· GUANARITO - Venezuela. Provoca os mesmos sintomas do Ebola; seis em cada dez vítimas não sobrevivem.

Biodiversidade emergente no Brasil
Com a invasão do ambiente natural dos vírus, provocado pelo avanço da ação humana sobre a mata e o crescimento das migrações internacionais, as doenças emergentes passaram a ocupar um lugar de destaque no perfil sanitário do país.
Entre as categorias de vírus emergentes, podemos destacar:
* Arenavírus - vírus transmitidos por roedores e que provocam febre hemorrágica: Sabiá, Hantavírus, Flechal, Amapari, Pinhal.
* Arbovírus - vírus transmitidos por artrópodes, como os insetos.

Amazônia das doenças emergentes
O Brasil é o maior celeiro de arbovírus do mundo. Dos 186 vírus estudados pelo Instituto Evandro Chagas de Belém, 86 são novos para o mundo, e 34 infectam o ser humano. Isso não quer dizer que os outros não infectem. Só que nunca foi registrado um caso. A maioria deles, no entanto, causa febres que podem durar 3 dias a uma semana. Como a Amazônia tem a maior biodiversidade da Terra, cada espécie animal ou vegetal esconde pelo menos um vírus.

Biodiversidade Perigosa de arbovírus e seus sintomas
* Febre - Mucambo, Ilhéus, Dengue1, Dengue4, Oropuche, Xingu, Mayaro etc.
* Encefalite - WEE, VEE IF, Rocio, SLE, Tucunduba.
* Febre hemorrágica - Hantavírus, Dengue2 e Febre amarela.

O estudo desse vírus é feito pelo Instituto Evandro Chagas de Belém - Centro de referência para arbovírus no Brasil.
Em Manaus, funciona o Instituto de Medicina tropical, que apresenta um laboratório de nível 3 (usa-se roupas especiais e o acesso é controlado). No entanto, para se estudar um vírus como o Sabiá ou da Febre Amarela seria necessário um laboratório de Biossegurança de nível 4 (entrada por portas duplas, roupas espaciais, ar reciclado e chuveiro de descontaminação), coisa que o Brasil não tem. Só existem três no mundo: um no C.D.C., outro do exército americano e o terceiro na Rússia.

Laboratórios de Biossegurança

Nível de
segurança
Técnicas
Doenças
Mortalidade
1
1 Laboratório Normal
Gripe - Resfriado
-
2
Aventais, luvas, acesso limitado, desconta
minação do material
Dengue - Aids
-
3
Roupas especiais,
acesso controlado
Febre do Vale Rift Hantavírus
50%
45%
4
Portas duplas, roupas espaciais, ar reciclado, chuveiros de descontaminação
Ebola
Marburg
Sabiá
90%
90%
desconhecida

Causas das doenças emergentes

· Invasão das florestas pelo Homem - Ocupação indiscriminada da natureza por caçadores, garimpeiros, agricultores e construção de estradas

· Desmatamento e destruição dos hospedeiros naturais - o Homem entra em contato com os microrganismos, pois os seus hospedeiros naturais foram destruídos.
· Superpovoamento - traz consigo o lixo, esgoto, pobreza, falta de recursos médicos e idiotas que praticam sexo com animais (uma das vias de transmissão dos vírus)

· Construção de represas (hidroelétricas) - provoca alterações drásticas no Ecossistema.

 

Principais doenças emergentes


1. AIDS

A AIDS caracteriza-se por um conjunto de infecções oportunistas surgidas devido à queda de imunidade. Essa queda é ocasionada principalmente pela redução dos linfócitos -T do sangue.
O agente causador dessa queda da imunidade humana é o H.I.V. (Vírus da Imunodeficiência Humana) - um retrovírus, pois apresenta a enzima transcriptase reversa, capaz de transformar seu RNA em uma molécula de DNA.

O trabalho sobre Aids na Amazônia aponta a existência do subtipo F do vírus HIV em metade dos casos registrados da doença naquela região. Segundo a pesquisadors Ana Carolina Paulo Vicente da Fiocruz, o subtipo F é raro em todo o mundoe além disso, os cientistas desconhecem a eficácia do coquetel utilizado em todo o mundo.

Origem da AIDS
O mistério sobre a origem da AIDS está resolvido (98% certeza). Ela foi transmitida ao Homem por um macaco africano-chimpanzé.
A descoberta de que esses macacos não desenvolvem a doença, pode trazer pistas importantes sobre como bloquear a ação do vírus HIV no Homem.
1. Um grupo de pesquisadores americanos, britânicos e franceses identificou 4 chimpanzés portadores do vírus SIVcpz (Vírus da Imunodeficiência Símia do chimpanzé) na Africa.
2. O código genético viral das 4 amostras de SIVcpz foi comparado com várias amostras de HIV-1, variedade de HIV mais frequente no Homem.
3. Très amostras de SIVcpz apresentavam grande semelhança genética com o HIV-1, todas pertencentes a uma subespécie de chimpanzé que vive mais a oeste (região que engloba Congo, Gabão, Camarões e Guiné equatorial) - o chimpanzé Pantroglodytes troglodytes.
4. Da Africa também provém o caso mais antigo de infecção por HIV que se conhece - um homem de etnia bantu que morreu em 1959 no Congo belga (hoje República Democrática do Congo).
5. A AIDS é endêmica na região habitada pelo chimpanzé P. troglodytes, mas não tão comum na área mais a leste de onde provém a outra subespécie (Pantroglodytes schweinfurthii), que carrega a variedade de SIVcpz menos semelhante ao HIV.
6. A coincidência genética e geográfica confirma que o HIV passou do chimpanzé para o Homem no oeste da Africa, provavelmente por cantato de caçadores com sangue dos animais abatidos.

Tratamento
O coquetel tríplice reduziu em mais de 50% o índice de mortalidade e o número de infecções oportunistas. A eficácia da combinação de três drogas foi considerado o esquema mais potente para se combater o vírus.
· Dois inibidores de transcriptase reversa (AZT, DDI ou 3TC) - bloqueiam a transformaçãodo RNA viral em DNA viral pela enzima transcriptase reversa.
· Um inibidor de protease (Ritonavir, Saquinavir ou Indinavir) - bloqueia a enzima protease, responsável pela montagem do vírus.

2. EBOLA.
· EBOLA-RESTON - Em 1989, um carregamento de 100 macacos proveniente das Filipinas chegou na cidade de Reston, leste dos Estados Unidos, para ser usado em pesquisas médicas. Poucos dias após a chegada, os macacos começaram a ficar doentes. Os pulmões ficaram coagulados e entraram em pane. Os intestinos se dissolveram e os animais morreram. Foram dias de pavor, até que se descobriu que os animais eram vítimas do Ebola-Reston, que felizmente só era fatal para os macacos.
· EBOLAS - MARBURG, ZAIRE e SUDÃO - Estes matam uma pessoa em poucos dias. Os cientistas acreditam que esses vírus tiveram origem na caverna Kitum, no Quênia. O contágio ocorre por sêmen ou secreção vaginal, sangue e carne contaminada. Os vírus atacam a parede dos vasos sanguíneos e artérias, provocando hemorragia generalizada. Esperava-se que essa virose se espalhasse pelo mundo, no entanto, continua atacando apenas aldeias na Africa Central, caracterizando uma endemia.

3. HANTAVÍRUS
Em 12 de março de 1998, uma senhora de 51 anos procurou o hospital na cidade Tupi Paulista - S.P., apresentando sintomas de uma gripe forte. Duas horas depois, seu estado havia piorado. Às duas horas da manhã do dia 13, a paciente entrou em choque com grave insuficiência respiratória. Raios-x revelaram os pulmões tomados por líquidos. Às seis horas da manhã, estava morta, afogada pelas secreções pulmonares.
O contágio ocorre pelo ar, com partículas de saliva, urina ou fezes de rato. Não ocorre contágio de uma pessoa para a outra.
Atualmente a cidade d Uberlândia é a mais atingida, contabilizando 12 casos da doença, com 3 mortes. O hantavírus já infectou 95 pessoas em 10 estados, de 19993 a 2001. O índice de letalidade é muito alto (45,3%), visto que matou 43 pessoas em 8 anos.

4. SABIÁ
Vírus causador da febre hemorrágica brasileira. Em 1990, matou uma jovem agrônoma que teria se contaminado em Cotia (SP), num condomínio do Bairro Jardim Sabiá (daí seu nome). Morreu em 3 dias de choque e insuficiência múltipla de órgãos. Primeiro veio a dor de cabeça, seguida de tosse e febre. Depois, tremores por todo o corpo. Seguiu-se uma hemorragia generalizada, inclusive pela vagina.

5. RFVF (vírus da febre do vale Rift)
Identificado em 1930 entre ovelhas na região do vale Rift, no Quênia, o vírus começou a mostrar seu potencial destrutivo em 1997. Naquele ano, uma epidemia atingiu cerca de 200 mil pessoas no Egito, matando 600. De lá para cá, o parasita provocou surtos por todo o continente africano, escapando para a península Arábica no mês de setembro do ano 2000. Uma epidemia atingiu a Arábia Saudita e o Iêmen, contabilizando um grande número de mortes.
O vírus provoca aborto e mortes em rebanhos no continente. Em humanos, pode causar encefalite, cegueira, febre hemorrágica, matando até 10% dos pacientes. A média é baixa, se comparada a outros como ebola. Mas o RVFV tem algumas características que o tornam potencialmente perigosos:
* é um arbovírus para lá de promiscuo - pode ser transmitido por três gêneros de mosquito (Culex, Aedes e Mansonia), além de flebotomus.
* RNA como material genético - altas taxas de mutacão, tanto drifts (pequenas) como shifts (grandes mutações no genoma). Essas grandes mutações criam linhagens inteiramente novas do parasita, contra as quais não temos imunidade. Acredita-se que essa tenha sido a causa da alta mortalidade da epidemia de 1977.

6. HEPATITE E FEBRE DE LÁBREA
* Hepatites - são viroses que receberam o nome de letras à medida que foram sendo descobertas. Tudo indica que o Brasil tenha casos de A a G.
Atualmente, a maior preocupação é a hepatite C. Estima-se que 300 mil brasileiros tenham o vírus, e metade deles, nem desconfia. Os sintomas, quando aparecem, lembram os da gripe. Metade dos portadors não desenvolvem a doença. Os outros, evoluem para cirrose ou câncer.
A hepatite G também é uma doença grave e igualmente transmitida pelo sexo ou transfusão de sangue. Durante 8 a 20 anos, o fígado sofre calado. Quando o mal é percebido, o paciente pode estar com cirrose avançada ou câncer hepático. Por enquanto, os testes genéticos são a única forma de detectar a doença. Só existe vacina contra o vírus da hepatite B.
* A febre de Lábrea - é uma das mais devastadoras doenças emergentes encontradas na região amazonica. O primeiro caso foi registrado em Lábrea -AM. Trata-se de uma hepatite fulminante, causada pela associação de dois vírus da hepatite: A e Delta. Provoca destruição do fígado, com hemorragia interna e vômitos com sangue.É capaz de matar 90% dos infectados em seis dias.

Bibliografia
1. Revista Ciência Hoje.
2. Revista Super-Interessante.
3. Revista Isto é.
4. Jornal Folha de São Paulo.
5. LOPES, S. Bio, v.2, ed. Saraiva. 1997.
6. SOARES. J.L. Biologia no terceiro milênio, v.3, ed. Scipione. 1999.
7. Jornal O Globo.

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