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A crise da economia cafeeira em charge da época
Neste capítulo
cabe-nos analisar a quebra da Bolsa de Valores de 1929 e a Revolução
de 1930.
Antes de começarmos precisamos
ter claro que apesar do termo Revolução, a ruptura
político-intitucional de 1930 que tirou o presidente cafeicultor
Washington Luís do poder, não passou de um golpe de
Estado.Lembramos aqui que o termo Revolução é
encarado pela historiografia como algo que vai muito além
da mera ruptura constitucional e passa necessariamente por profundas
alterações nas estruturas sociais, econômicas
e políticas de uma região. Não foi o que aconteceu
com nosso país com a "Revolução"
de 1930.
|
A
Crise de 1929 e a quebra de bolsa de Nova Iorque
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Em 1928 o governo
norte-americano, buscando proteger a produção frente
aos produtos europeus que voltavam a circular em grande quantidade
com a reconstrução do pós-guerra, elevou as
taxas de importação.A resposta das economias européias
foi a elevação de suas taxas alfandegárias
na mesma medida. O resultado foi uma crise no comércio mundial
e a recessão.
A crise que abalou a indústria
mundial afetou também a economia agrária norte-americana.
O armazenamento de produtos agrícolas, procurando forçar
os preços para cima, repercutiu no aumento considerável
do custo de vida. O quadro de crise provocou quedas significativas
nos preços das ações negociadas na Bolsa de
Valores de Nova Iorque. A venda de ações no mercado
aumentou desproporcionalmente. Empresas buscavam se capitalizar
jogando suas ações no mercado. Os lotes de ações
especulativas eram muito superiores do que se imaginava e, no momento
que muitas empresas buscavam a capitalização para
superar a crise, as ações na Bolsa estavam em queda
livre. O mercado não mais confiava nas ações
e elas simplesmente deixaram de ser negociadas. Era a queda da Bolsa
de Nova Iorque.
O "crack" da Bolsa provocou
a falência de milhares de empresas norte-americanas, arruinou
a produção agrícola e provocou um brutal desemprego.
A depressão econômica nos Estados Unidos repercutiu
imediatamente no mercado mundial, levando o capitalismo internacional
à maior crise de sua história.
A economia brasileira na época
era predominantemente agrário-exportadora. A retração
do mercado internacional provocou uma violenta queda nas exportações
e a crise econômica se alastrou por todo o país. A
parcial falência da cafeicultura levou, entre outras coisas,
ao aumento das tensões políticas internas, devendo
ser vista como uma das causas imediatas da Revolução
de 1930.
Pés
de café em diversos estados
|
|
|
1
9 2 1
|
1
9 3 0
|
|
São
Paulo
|
843.592.000
|
1.188.058.000
|
|
Minas
Gerais
|
511.252.100
|
650.691.700
|
|
Espírito
Santo
|
122.500.000
|
271.400.000
|
|
Rio
de Janeiro
|
160.239.000
|
213.818.000
|
|
Bahia
|
49.799.000
|
94.440.200
|
|
Pernambuco
|
27.886.000
|
82.073.000
|
|
Paraná
|
15.138.000
|
30.229.000
|
|
(Fonte: Castro. Citado
por Boris Fausto.
História Geral da civilização brasileira.
V. 8, p.242)
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Brasil:
Principais produtos de exportação (1891 - 1929)
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Datas
|
Participação
(em %) na receita das exportações
|
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Café
|
Açúcar
|
Algodão
|
Borracha
|
Couros e peles
|
Outros
|
Total
|
| 1891 - 1900 |
65,5
|
6,0
|
2,7
|
15,0
|
2,4
|
9,4
|
100,0
|
| 1901 - 1910 |
52,7
|
1,9
|
2,1
|
25,7
|
4,2
|
13,4
|
100,0
|
| 1911 - 1913 |
61,7
|
0,3
|
2,1
|
20,0
|
4,2
|
11,7
|
100,0
|
| 1914 - 1918 |
47,4
|
3,9
|
1,4
|
12,0
|
7,5
|
27,8
|
100,0
|
| 1919 - 1923 |
58,8
|
4,7
|
3,4
|
3,0
|
5,3
|
24,8
|
100,0
|
| 1924 - 1928 |
72,5
|
0,4
|
1,9
|
2,8
|
4,5
|
17,9
|
100,0
|
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Fontes: H. Schlittler Silva;
AVillanova Vilela A e W. Suzigan. Citados por Paul Singer.
"O Brasil no contexto do capitalismo internacional".
Em Boris Fausto. (História Geral da civilização
brasileira. 2a. ed., São Paulo, Difel, 1977. v. 8,
p.355)
|
|
A
Crise Final da República Oligárquica
|
Os últimos
anos do governo de Washington Luís, paulista e cafeicultor,
foram marcados por uma acirrada disputa eleitoral. Depois de muitos
anos as eleições ganharam um contorno de verdadeira
disputa.
A violenta crise econômica levou
Washington Luís a apoiar a candidatura do também paulista
e cafeicultor, então governador de São Paulo, Júlio
Prestes. Estava rompido o acordo do café-com-leite. O governador
de Minas Gerais Antônio Carlos de Andrada, que já tinha
como certa sua indicação e falava como futuro presidente,
ficou a ver navios.
O rompimento do acordo do café-com-leite
levou a oligarquia mineira a apoiar uma candidatura de oposição.
Formou-se a Aliança Liberal : as elites mineiras, gaúchas
e paraibanas se uniram em torno da chapa encabeçada por Getúlio
Dorneles Vargas, tendo como vice João Pessoa. Esta coligação
política apesar de oligárquica, passou a simbolizar
toda uma vontade nacional de romper com o monopólio político
do café, obtendo apoio de amplos e variados setores políticos.
As oligarquias dissidentes e as Forças Armadas identificadas
com o Tenentismo, foram os maiores aliados. Na campanha pré-eleitoral,
Getúlio Vargas demonstrou também um sólido
apoio popular. Comícios gigantescos tomaram as principais
cidades do país.
Apesar das pesquisas demonstrarem
a virtual vitória de Getúlio, as eleições,
violentamente fraudadas, deram o resultado do pleito favorável
a Júlio Prestes. A vitória de Júlio Prestes
causou um profundo descontentamento político no país
e as tensões se avolumaram. As forças populares começaram
a dar demonstrações de que não mais aceitariam
em silêncio as falcatruas governamentais.
As forças oligárquicas
e burguesas inquietavam-se com as agitações populares
e buscavam controlar o processo político para que não
caminhasse para uma radicalização em que as elites
perdessem o controle do poder.
O assassinato de João Pessoa,
candidato a vice pela Aliança Liberal, precipitou o confronto.
Apesar de ter sido assassinado por questões políticas
epecíficas de seu estado natal, a Paraíba, em âmbito
nacional tal acontecimento foi usado como pretexto para o movimento
de derrubada de Washington Luís e impedimento da posse de
Júlio Prestes. Eclodia a "Revolução"
de 1930.
No dia 3 de abril
de 1930 o então tenente-coronel Góis Monteiro liderava
tropas gaúchas rebeladas em direção à
capital federal. O apoio de outros setores militares não
tardou a chegar. No nordeste o apoio foi quase unânime. De
Minas Gerais partiram tropas em direção à São
Paulo, reduto cafeicultor. No Rio de Janeiro, capital federal, uma
junta militar formada por alguns dos mais importantes generais e
almirantes brasileiros, depunham o presidente Washington Luís.
Alguns dias depois, Getúlio Vargas assumia como presidente
provisório. Era o fim da República Oligárquica.
TEXTO COMPLEMENTAR : A GRANDE DEPRESSÃO DE 1930 (JOHN KEYNES)
- EM ANEXO
| Você
Aprendeu: |
- Neste breve capítulo procuramos encerrar mais
uma fase da história de nosso país, na qual
o governo era monopolizado pelos cafeicultores. Com o término
desta fase, assistimos ao fim da República Velha.
- A ruptura política ocorrida em 1930, acabou com
a República Oligárquica. Sua queda derivou
de causas estruturais decorrentes de uma longa crise cuja
gênese deve ser procurada nos tempos da Primeira Guerra
Mundial.A derrubada do governo foi ,então, precipitada
por esta crise econômica e também por motivos
internos que acabamos de analisar neste capítulo.
|
C a
d e r n o d o p r o f e s s o r
Neste
capítulo acreditamos ser o debate sobre o conceito de Revolução
um dos pontos centrais. É importante elucidarmos o golpismo
em 1930 como uma rearticulação das elites brasileiras
no poder do Estado. O fim da hegemonia cafeicultora não deve
ser encarado como um processo de democratização, mas
como uma divisão mais proporcional da ordem instituída
entre os diversos setores das elites nacionais. é Julgamos
importante ainda a elucidação para o aluno das relações
entre a Revolução de 30 com a conjuntura internacional,
mostrando como um país muito dependente do mercado externo
está constantemente sujeito às oscilações
do mesmo.
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