Lúcia Helena Storto
Sidney Aguilar Filho

Capítulo 12

A República da Espada

      Iniciava-se a República, O golpe que derrubou o Império foi tão premeditado que os soldados comandados por Deodoro que sairam nas ruas do Rio de Janeiro no dia 15 de novembro de 1889 estavam em traje de gala. Prontos estavam para a festa e não para um eventual conflito.

Introdução.
A Crise do Encilhamento.
A Constituição de 1891.
A Presidência de Deodoro da Fonseca.
A Presidência de Floriano Peixoto.
A Revolta Armada e a Revolta Federalista.
O Encilhamento.

 

Introdução

      Um governo liderado pelo marechal deodoro que se tornava presidente interino o poder do novo regime.
      Imediatamente são convocadas eleições para uma assembléia Constituinte. A visão republicana da igualdade do voto e do fim do censo eleitoral da época do Império não se refletiu nessa primeira eleição. Na prática essa Assembléia Constituinte era formada pelas elites rurais que mantinham uma visão social muito conservadora.


      Rapidamente surge uma contradição entre o poder executivo comandado pelos militares e os jogos de interesses aristocráticos na Assembléia. Enquanto o ministro da fazenda Rui Barbosa falava em industrialização o Brasil com um discurso de tom nacionalista e modernizante, na Assembléia os interesses agroexportadores dos cafeicultores aliavam-se às elites decadentes principalmente do nordeste, para manter os privilégios e a oligarquia no poder. Um bom exemplo disso foi o estabelecimento do voto aberto, que permitia a pressão política dos fazendeiros sobre os camponeses que deles pediam.

A República Brasileira (1889 - 1996)
A República Velha (1889 - 1930)
A Era Vergas (1930 - 1945)
A República Liberal Populista (1946 - 1964)
A Ditadura Militar (1964 - 1985)
O Brasil Contemporâneo (1985 - 1996)

 

 

A República Velha
O Governo Provisório (1889 - 1891)


A CRISE DO ENCILHAMENTO


      O governo provisório presidido pelo Marechal Deodoro da Fonseca foi marcado dentre outras coisas pela implantação de um projeto de industrialização liderado pelo ministro da Fazenda, Rui Barbosa. Medidas protecionistas foram adotadas para garantir os mercados para uma nascente indústria nacional. Créditos de fácil acesso foram colocados à disposição daqueles que quisessem investir na indústria.
      As reações ao projeto industrialista não tardaram a chegar. Os banqueiros ingleses e franceses com sua visões imperialistas dificultaram os créditos ao Brasil e ameaçaram fechar suas agências. As oligarquias agroexportadoras sentiram-se pressionadas pelos mercados internacionais que passaram a bombardear o projeto.
      Sem dinheiro externo o governo passou a emitir papel-moeda sem lastro. Para complicar a situação, grande parte dos empréstimos concedidos para a industrialização acabou sendo desviada para a especulação na bolsa de valore. O aparecimento de grande número de empresas fantasmas utilizadas para tal desvio também contribuiu para uma enorme Instabilidade econômica.
      O encilhamento, como ficou conhecida a crise provocada pela política econômica mal dimensionada de Rui Barbosa, teve como principais conseqüências um rápido crescimento de inflação, um violento arrocho dos salários e um enorme número de falências, principalmente entre as recém-surgidas indústrias, provocadas pela elevação dos juros. Falências, desempregos e baixos salários violentaram grande parte da sociedade brasileira, em especial os setores urbanos nos quais se encontravam as principais bases de sustentação política do grupo que estava no poder; os militares e os setores médios urbanos.

 

A CONSTITUIÇÃO DE 1891


      Enquanto o governo se via dentro de uma profunda crise, na Assembléia Constituinte, a maioria formada pelos grandes proprietários rurais voltadas por seus interesses. O federalismo garantia significativa autonomia para o estado e obviamente para as elites regionais, derrotando assim a visão centralista dos militares. Essa medida, associada ao voto aberto, praticamente garantia o domínio da República para os fazendeiros. Oportunamente a mesma Assembléia determinou que as primeiras eleições para a presidência da República seriam feitas de forma indireta pela própria Assembléia Constituinte. Rapidamente uma chapa negociada entre as oligarquias e os setores militares de oposição a Deodoro se formou.       Prudente de Moraes e Floriano Peixoto concorreram contra o Marechal Deodoro da Fonseca e Eduardo Wanderkolk. Prudente de Moraes, apesar de possuir maioria, acabou não vencendo porque surgiram fortes boatos de que Deodoro daria um golpe culminou com a eleição de Deodoro para presidente, mas Floriano Peixoto, o vice da chapa da oposição, acabou derrotando o parceiro de Deodoro.

 

A PRESIDÊNCIA DE DEODORO DA FONSECA (1891)


      O marechal Deodoro da Fonseca venceu as eleições mas descontentou de tal forma a Assembléia Constituinte, transformada em Congresso Nacional após a promulgação da constituição, que agora não possuía maioria parlamentar parra governar. As constantes derrotas dos projetos do governo no Congresso Nacional acabaram culminando em poucos meses com uma tentativa de golpe do Marechal Deodoro da Fonseca. Deodoro fechou o Congresso Nacional e se impôs como ditador. A República começava bem ...
      O Marechal não contava, contudo, que os opositores a ele dentro das forças armadas já fossem maiores que seus aliados. O contragolpe desfechado pelos aliados do marechal Floriano Peixoto impediu as pretenções de Deodoro. Obrigado a renunciar, assume o vice-presidente da República.

 

A PRESIDÊNCIA DE FLORIANO PEIXOTO (1891-1894)


      O governo de Floriano assim como o de seu sucessor foram marcados por uma série de turbulências políticas e cisões no interior das forças armadas. A diferença clara entre os dois presidentes era que o segundo sem dúvida era bem mais hábil e convincente que o outro.
Assim que assumiu, Floriano reabriu o Congresso e procurou aliados lá dentro. Entre trocas de favores e apoios ideológicos, Floriano conseguiu um mínimo de apoio necessário para governar.
      O não-respeito ao artigo 42 da Constituição - "Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da presidência ou vice-presidência, não houverem decorridos dois anos do período presidencial, proceder-se-á à nova eleição" - provocou fortes oposições principalmente entre aqueles que almejavam o poder. Floriano não convocou as eleições e deixou claro que se manteria no cargo até o final do mandato.

 

 

(A REVOLTA DA ARMADA (1893) E A REVOLTA FEDERALISTA (1892-1894)


      Dentro da Marinha as frustrações políticas com a República e principalmente com Floriano Peixoto eram claras. A Marinha naquele momento ainda mantinha muito da época do Império. Oficiais de patente eram praticamente todos os membros das elites monárquicas, enquanto ser marinheiro no Brasil eras visto como função de negros. A continuidade do uso chibata como castigo aos marinheiros evidenciava claramente a manutenção das relações escravistas dentro do próprio Estado.
      O advento da República, contudo, foi comandado pelo Exercício, tendo a Marinha ficado em segundo plano. As pretensões do candidato declarado à presidência da República, o almirante Custódio de Melo, conseguiram rapidamente apoio entre os oficiais monarquistas. Essa aliança de interesses acabou por culminar com a Revolta da Armada.
      A Revolta da Armada, tão bem representada por Lima Barreto em O triste fim de Policarpo Quaresma, foi na verdade a sublevação da maior parte da frota da Marinha de guerra estacionada na baía de Guanabara. Os revoltosos exigiam a renúncia de Floriano e ameaçava destruir a capital federal.
      No Rio Grande do Sul o clima também estava quente. Um conflito de cunho regional entre o Partido Republicano Gaúcho (apoio por Floriano) e o Partido Federalista, que obteve apoio da revolta da Armada, colocada em risco a unidade da federação e o governo Floriano.
      O presidente da República, que a essa oposição dentro do exército, possuía agora o comando único. Usando de violenta repressão e com amplo apoio do Partido Republicano Paulista (a representação política dos cafeicultores), ele conseguiu debelar a revolta da Armada e amenizar os conflitos no Sul do país.
      O marechal Floriano Peixoto conseguiu assim terminar seu mandato e, apesar de não seguir a legalidade à risca, manteve em seu governo as instituições básicas da república funcionando. Convocou eleições ao seu final de seu mandato e apoiou o progresso eleitoral favorecendo o deslocamento do poder federal para as mãos dos cafeicultores.
      Podemos por isso analisar o governo Floriano Peixoto como sendo um período que apesar dos conflitos conseguiu consolidar a República.

 

Você Aprendeu:
  • O período conhecido como a República da Espada marcou uma época em que os militares disputaram o predomínio do poder. O período foi marcado por um grande número de conflitos que por várias vezes colocaram em risco as instituições republicanas recém-surgidas. Enquanto os militares se entrelaçavam no poder, os grandes proprietários rurais liderados pelos cafeicultores organizavam na Assembléia Constituinte uma República oligárquica, preparando assim o caminho para o poder.

 

 

LEITURA COMPLEMENTAR

O Encilhamento


O câmbio esmaga o povo 0 Angelo Agostini, 1891
      Segundo um jornal da época, "todos jogaram, o negociante, o médico, o jurisconsulto, o funcionário público, o corretor, o zangão; com pouco pecúlio próprio, com muito pecúlio alheio, com as diferenças do ágio, e quase todos com a caução dos próprios instrumentos do jogo". Falta acrescentar à lista de especuladores os fazendeiros do estado do Rio de Janeiro, que influíram à capital para jogar na especulação o dinheiro dos empréstimos. Os anos de 1890 e 1891 foram de loucura, segundo a expressão de um observador estrangeiro, o qual acrescenta Ter havido corretores que obtinham lucros diários de 50 a 100 contos e que osciliação do câmbio fazia e desfazia milionários. Por dois anos, o novo regime apareceu uma autêntica república de banqueiros, em que a lei era enriquecer a todo custo com dinheiro de especulação.
      A conseqüências não se fizeram esperar. Desde logo, houve enorme encarecimento dos produtos importados devido ao aumento da demanda e ao consumo conspícuo dos novos ricos. A seguir, a inflação generalizada e a duplicação dos preços já em 1892. Ao mesmo tempo, começou a queda do câmbio, encarecendo mais ainda os produtos de importação, que na época abrangiam quase tudo. Em 1892, já era necessário o dobro de mil réis para comprar uma libra esterlina; em 1897, o triplo. Por cima, o governo aumentou os impostos de importação e passou a cobrá-los em ouro, o que contribuiu ainda mais para o agravamento do custo de vida. Até o embaixador inglês sofreu as conseqüências quando um funcionário da embaixada pediu aumento de salário, demonstrando com listas de preços que seus 70$000 mensais não eram mais suficientes para sobreviver. O embaixador encaminhou favoravelmente o pedido ao Foreign Office, dizendo que os salários não tinham acompanhado dos preços, e terminou seu ofício com uma tirada de orador popular: ...até quando podemos esperar que o povo brasileiro aceite carregar tal peso?" Com efeito, segundo alguns cálculos, no primeiro qüinqüênio republicano houve aumento de mais de 100% nos salários para um aumento de mais de 300% nos preços.
José Murilo de Carvalho.
Os bestializados. O Rio de Janeiro que não foi.
Companhia das Letras, pp 20 e 21

 




 
 
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