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Um
governo liderado pelo marechal deodoro que se tornava presidente
interino o poder do novo regime.
Imediatamente
são convocadas eleições para uma assembléia
Constituinte. A visão republicana da igualdade do voto e
do fim do censo eleitoral da época do Império não
se refletiu nessa primeira eleição. Na prática
essa Assembléia Constituinte era formada pelas elites rurais
que mantinham uma visão social muito conservadora.
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Rapidamente
surge uma contradição entre o poder executivo comandado
pelos militares e os jogos de interesses aristocráticos na
Assembléia. Enquanto o ministro da fazenda Rui Barbosa falava
em industrialização o Brasil com um discurso de tom
nacionalista e modernizante, na Assembléia os interesses
agroexportadores dos cafeicultores aliavam-se às elites decadentes
principalmente do nordeste, para manter os privilégios e
a oligarquia no poder. Um bom exemplo disso foi o estabelecimento
do voto aberto, que permitia a pressão política dos
fazendeiros sobre os camponeses que deles pediam.
| A República
Brasileira (1889 - 1996) |
| A República
Velha (1889 - 1930) |
| A Era
Vergas (1930 - 1945) |
| A República
Liberal Populista (1946 - 1964) |
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Militar (1964 - 1985) |
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Contemporâneo (1985 - 1996) |
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A
República Velha
O Governo Provisório (1889 - 1891)
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A CRISE DO ENCILHAMENTO
O
governo provisório presidido pelo Marechal Deodoro da Fonseca
foi marcado dentre outras coisas pela implantação
de um projeto de industrialização liderado pelo ministro
da Fazenda, Rui Barbosa. Medidas protecionistas foram adotadas para
garantir os mercados para uma nascente indústria nacional.
Créditos de fácil acesso foram colocados à
disposição daqueles que quisessem investir na indústria.
As
reações ao projeto industrialista não tardaram
a chegar. Os banqueiros ingleses e franceses com sua visões
imperialistas dificultaram os créditos ao Brasil e ameaçaram
fechar suas agências. As oligarquias agroexportadoras sentiram-se
pressionadas pelos mercados internacionais que passaram a bombardear
o projeto.
Sem
dinheiro externo o governo passou a emitir papel-moeda sem lastro.
Para complicar a situação, grande parte dos empréstimos
concedidos para a industrialização acabou sendo desviada
para a especulação na bolsa de valore. O aparecimento
de grande número de empresas fantasmas utilizadas para tal
desvio também contribuiu para uma enorme Instabilidade econômica.
O
encilhamento, como ficou conhecida a crise provocada pela política
econômica mal dimensionada de Rui Barbosa, teve como principais
conseqüências um rápido crescimento de inflação,
um violento arrocho dos salários e um enorme número
de falências, principalmente entre as recém-surgidas
indústrias, provocadas pela elevação dos juros.
Falências, desempregos e baixos salários violentaram
grande parte da sociedade brasileira, em especial os setores urbanos
nos quais se encontravam as principais bases de sustentação
política do grupo que estava no poder; os militares e os
setores médios urbanos.
A CONSTITUIÇÃO
DE 1891
Enquanto
o governo se via dentro de uma profunda crise, na Assembléia
Constituinte, a maioria formada pelos grandes proprietários
rurais voltadas por seus interesses. O federalismo garantia
significativa autonomia para o estado e obviamente para as elites
regionais, derrotando assim a visão centralista dos militares.
Essa medida, associada ao voto aberto, praticamente garantia
o domínio da República para os fazendeiros. Oportunamente
a mesma Assembléia determinou que as primeiras eleições
para a presidência da República seriam feitas de
forma indireta pela própria Assembléia Constituinte.
Rapidamente uma chapa negociada entre as oligarquias e os setores
militares de oposição a Deodoro se formou. Prudente
de Moraes e Floriano Peixoto concorreram contra o Marechal Deodoro
da Fonseca e Eduardo Wanderkolk. Prudente de Moraes, apesar
de possuir maioria, acabou não vencendo porque surgiram
fortes boatos de que Deodoro daria um golpe culminou com a eleição
de Deodoro para presidente, mas Floriano Peixoto, o vice da
chapa da oposição, acabou derrotando o parceiro
de Deodoro. |
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A PRESIDÊNCIA DE
DEODORO DA FONSECA (1891)
O
marechal Deodoro da Fonseca venceu as eleições mas
descontentou de tal forma a Assembléia Constituinte, transformada
em Congresso Nacional após a promulgação da
constituição, que agora não possuía
maioria parlamentar parra governar. As constantes derrotas dos projetos
do governo no Congresso Nacional acabaram culminando em poucos meses
com uma tentativa de golpe do Marechal Deodoro da Fonseca. Deodoro
fechou o Congresso Nacional e se impôs como ditador. A República
começava bem ...
O
Marechal não contava, contudo, que os opositores a ele dentro
das forças armadas já fossem maiores que seus aliados.
O contragolpe desfechado pelos aliados do marechal Floriano Peixoto
impediu as pretenções de Deodoro. Obrigado a renunciar,
assume o vice-presidente da República.
A PRESIDÊNCIA DE
FLORIANO PEIXOTO (1891-1894)
O
governo de Floriano assim como o de seu sucessor foram marcados
por uma série de turbulências políticas e cisões
no interior das forças armadas. A diferença clara
entre os dois presidentes era que o segundo sem dúvida era
bem mais hábil e convincente que o outro.
Assim que assumiu, Floriano reabriu o Congresso e procurou aliados
lá dentro. Entre trocas de favores e apoios ideológicos,
Floriano conseguiu um mínimo de apoio necessário para
governar.
O
não-respeito ao artigo 42 da Constituição -
"Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da presidência
ou vice-presidência, não houverem decorridos dois anos
do período presidencial, proceder-se-á à nova
eleição" - provocou fortes oposições
principalmente entre aqueles que almejavam o poder. Floriano não
convocou as eleições e deixou claro que se manteria
no cargo até o final do mandato.

(A REVOLTA DA ARMADA (1893)
E A REVOLTA FEDERALISTA (1892-1894)
Dentro
da Marinha as frustrações políticas com a República
e principalmente com Floriano Peixoto eram claras. A Marinha naquele
momento ainda mantinha muito da época do Império.
Oficiais de patente eram praticamente todos os membros das elites
monárquicas, enquanto ser marinheiro no Brasil eras visto
como função de negros. A continuidade do uso chibata
como castigo aos marinheiros evidenciava claramente a manutenção
das relações escravistas dentro do próprio
Estado.
O
advento da República, contudo, foi comandado pelo Exercício,
tendo a Marinha ficado em segundo plano. As pretensões do
candidato declarado à presidência da República,
o almirante Custódio de Melo, conseguiram rapidamente apoio
entre os oficiais monarquistas. Essa aliança de interesses
acabou por culminar com a Revolta da Armada.
A
Revolta da Armada, tão bem representada por Lima Barreto
em O triste fim de Policarpo Quaresma, foi na verdade a sublevação
da maior parte da frota da Marinha de guerra estacionada na baía
de Guanabara. Os revoltosos exigiam a renúncia de Floriano
e ameaçava destruir a capital federal.
No
Rio Grande do Sul o clima também estava quente. Um conflito
de cunho regional entre o Partido Republicano Gaúcho (apoio
por Floriano) e o Partido Federalista, que obteve apoio da revolta
da Armada, colocada em risco a unidade da federação
e o governo Floriano.
O
presidente da República, que a essa oposição
dentro do exército, possuía agora o comando único.
Usando de violenta repressão e com amplo apoio do Partido
Republicano Paulista (a representação política
dos cafeicultores), ele conseguiu debelar a revolta da Armada e
amenizar os conflitos no Sul do país.
O
marechal Floriano Peixoto conseguiu assim terminar seu mandato e,
apesar de não seguir a legalidade à risca, manteve
em seu governo as instituições básicas da república
funcionando. Convocou eleições ao seu final de seu
mandato e apoiou o progresso eleitoral favorecendo o deslocamento
do poder federal para as mãos dos cafeicultores.
Podemos
por isso analisar o governo Floriano Peixoto como sendo um período
que apesar dos conflitos conseguiu consolidar a República.
| Você
Aprendeu: |
- O período conhecido
como a República da Espada marcou uma época
em que os militares disputaram o predomínio do poder.
O período foi marcado por um grande número
de conflitos que por várias vezes colocaram em risco
as instituições republicanas recém-surgidas.
Enquanto os militares se entrelaçavam no poder, os
grandes proprietários rurais liderados pelos cafeicultores
organizavam na Assembléia Constituinte uma República
oligárquica, preparando assim o caminho para o poder.
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LEITURA
COMPLEMENTAR
O Encilhamento
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O câmbio
esmaga o povo 0 Angelo Agostini, 1891
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Segundo
um jornal da época, "todos jogaram, o negociante,
o médico, o jurisconsulto, o funcionário público,
o corretor, o zangão; com pouco pecúlio próprio,
com muito pecúlio alheio, com as diferenças do
ágio, e quase todos com a caução dos próprios
instrumentos do jogo". Falta acrescentar à lista
de especuladores os fazendeiros do estado do Rio de Janeiro,
que influíram à capital para jogar na especulação
o dinheiro dos empréstimos. Os anos de 1890 e 1891 foram
de loucura, segundo a expressão de um observador estrangeiro,
o qual acrescenta Ter havido corretores que obtinham lucros
diários de 50 a 100 contos e que osciliação
do câmbio fazia e desfazia milionários. Por dois
anos, o novo regime apareceu uma autêntica república
de banqueiros, em que a lei era enriquecer a todo custo com
dinheiro de especulação. |
| A
conseqüências não se fizeram esperar. Desde
logo, houve enorme encarecimento dos produtos importados devido
ao aumento da demanda e ao consumo conspícuo dos novos
ricos. A seguir, a inflação generalizada e a duplicação
dos preços já em 1892. Ao mesmo tempo, começou
a queda do câmbio, encarecendo mais ainda os produtos
de importação, que na época abrangiam quase
tudo. Em 1892, já era necessário o dobro de mil
réis para comprar uma libra esterlina; em 1897, o triplo.
Por cima, o governo aumentou os impostos de importação
e passou a cobrá-los em ouro, o que contribuiu ainda
mais para o agravamento do custo de vida. Até o embaixador
inglês sofreu as conseqüências quando um funcionário
da embaixada pediu aumento de salário, demonstrando com
listas de preços que seus 70$000 mensais não eram
mais suficientes para sobreviver. O embaixador encaminhou favoravelmente
o pedido ao Foreign Office, dizendo que os salários não
tinham acompanhado dos preços, e terminou seu ofício
com uma tirada de orador popular: ...até quando podemos
esperar que o povo brasileiro aceite carregar tal peso?"
Com efeito, segundo alguns cálculos, no primeiro qüinqüênio
republicano houve aumento de mais de 100% nos salários
para um aumento de mais de 300% nos preços. |
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José Murilo de Carvalho.
Os bestializados. O Rio de Janeiro que não foi.
Companhia das Letras, pp 20 e 21
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