|
Nestas
últimas décadas, em especial na dos noventas, as diferenças sócio-econômicas
se acentuaram profundamente. Mesmo quando algumas pesquisas insistem
em dizer o contrário.Riquezas, informações, tecnologia e energia
se concentram cada vez mais. Acompanhado de um forte processo de
exclusão social. A exclusão não é característica nova na história
da humanidade, mas, atualmente, ela ganha contornos assustadores
onde o isolamento entre grupos em uma mesma região geográfica se
intensifica. Cada vez nos conhecemos menos como comunidade e, menos
ainda como sociedade. As perdas dessas noções dificultam muitas
a prática política e a cidadania. Diminuir as distâncias entre indivíduos
e grupos sociais está se tornando fundamental para evitar choques
cada vez mais corriqueiros e pior, infrutíferos. O conflito transformador
deve ser percebido sem temor, mas, quando acaba tendo um fim em
si mesmo, conservando e acentuando as discórdias, ele merece ser
contido. Efetivamente a cidadania, a política e a coisa pública
são indissociáveis. Pensar uma coisa sem as outras empobrece a análise.
Conseguir construir uma conceitualização que transformada em práxis
consiga garantir cidadania, responsabilidade política e preservação
da república por todos e para todos é responsabilidade de todo democrata.
A democracia representativa e burguesa possui, portanto uma contradição
gigantesca a resolver caso queira construir em longo prazo a tão
propagada democracia - pelo menos desde as Revoluções Americana
e Francesa. As alternativas a essa democracia maltrapilha que vivemos
no século XX, contudo, beiraram o bestial - o nazi-fascismo e as
ditaduras militares - ou a paranóia coletiva - os modelos stalinistas.
Destruí-la por algo novo ou aperfeiçoa-la são alternativas, regredir
é ignorância. Fica uma certeza quanto mais ampla a cidadania, quanto
maior a responsabilidade política e o respeito às coisas públicas,
maior a liberdade e a qualidade de vida para toda a sociedade.
|